sexta-feira, 23 de maio de 2008

Entrevista

Dia desses a irmã de uma colega de sala, aluna da sexta série do meu colégio pediu-me que a ajudasse num trabalho. Tudo que eu teria que fazer era ser "entrevistada". Tudo bem, eu disse, acho que principalmente porque tenho sentido uma simpatia enorme pelo pessoal do ginásio, o nome disso deve ser nostalgia, e eu disse que iria.

O dia da tal entrevista foi hoje, e de repente os alunos da sexta série pareciam todos tão pequenos e tão suscetíveis que me veio à cabeça minha imagem da sexta série, com meu cabelo acabado e mais espinhas que deveria naquela idade, andando com as minhas então amigas, com quem no fim do mesmo ano tive desavenças - ao que hoje dou graças a Deus. Tentei ser simpática, falar pausadamente, e queria dar uns conselhos, o tipo de coisa que eu falaria se encontrasse a Ray que eu era no segundo ano do ginásio - porque nessa época eu ainda era "Ray".

Foram poucas perguntas e bem simples. Começaram perguntando meu nome. Eu me chamo Ramaiany, mas costumo me apresentar por Any porque é mais fácil de lembrar, e [pensei em dizer que any, escrito com "a" maíusculo daquele redondinho, tinha muito mais a ver com quem eu me tornara e com quem pretendia me tornar, mas fiquei quieta, achei que ia ser forçar a barra demais destar a falar na primeira pergunta] enfim...

O que você quer ser quando crescer, a menina ao meu lado perguntou, aquela pergunta eu já esperava, então abri a boca e falei mais ou menos o que tinha ensaiado mentalmente, feliz por minha voz estar saindo firme. Uau, essa é uma pergunta e tanto, todo undo no terceiro ano se pergunta o que vai fazer quando ficar mais velho, mas eu ainda não tenho muita certeza, só sei que é na área de humanas, que é a área em que você lida diretamente com as pessoas, então é provável que eu faça ou jornalismo ou publicidade. Sorri para a garotinha e em seguida ela leu a próxima pergunta.

Você já conheceu alguém na internet? Se sim, você mantém contato com essa pessoa? Tenho que admitir que fiquei surpresa com essa pergunta, esperava que seguisse mais a linha como-é-estar-no-terceiro-ano, mas sorri e falei: Bem, eu tive uma melhor amiga que conheci na internet, eu tava mais ou menos na quinta série, acho, e a gente manteve um grande contato até ano passado, mais ou menos, mas daí o colégio apertou, minha vida social começou a ficar mais ativa [pensei se falava ou não do meu ex-namorado, mas achei melhor não], eu comecei a sair mais com meus amigos daqui, e tal, e a gente acabou se afastando, mas de vez em quando eu ainda falo com ela [só não disse que hoje em dia são sempre só umas três palavras].

Você já leu algum livro que falasse sobre adolescentes? Se sim, do que eles falavam? Sorri, olhei os alunos da sala, acho que eram mais meninas que meninos, não me recordo bem, respondi que Sim, eu já tinha lido vários, mais ou menos quando eu tinha a idade de vocês, um que me marcou muito foi um, espírita, chamado 'Aborrecente, não, sou adolescente', que, entre outros assuntos falava que o adolescente precisa se aceitar como é, quer dizer, você não precisa parecer com a garota de 'Malhação' para ser bonita, aqui uma das meninas sorriu cúmplice para mim, ao que retribuí, dá p'ra ser feliz do seu jeito. Quase que eu falei que uma hora um cara bacana bate à porta, por mais esquisita que você se sinta, mas os garotos da sala iam ficar entediados, achei melhor não. E outros livros que me marcaram muito foram aqueles da 'Turma do tigre', quer dizer, crianças e adolescentes que são detetives, eu achava aquilo mágico, dava vontade de ser tudo aquilo também...

Sorri para a menininha ao meu lado, mas ela disse que eram só essas perguntas, e agradeceu Mas já? 'Tá bom então... Se precisar de alguma coisa, só chamar...

Obrigada, você enriqueceu muito o trabalho deles, abracei levemente uma das minhas ex-professoras de português dizendo um Por nada, precisando, só chamar, peguei minha mochila me despedi da turma e saí da sala, pensando que poderiam ter me perguntado mais, que eu adoraria reciclar alguns conselhos velhos e passar pra eles, adoraria fazer amizade com as menininhas da sexta série, para ajudá-las como ninguém nunca teve ou se deu a oportunidade de fazer comigo.

Se bem que eu acho que não ia adiantar tentar me aconselhar na sexta série por meio daquelas meninas, mas que elas chegarão legal ao terceiro ano, chegarão.

3 comentários:

Stephanie disse...

Any,

confesso: ainda não tinha visto o lay, porque tava um tempo sem aparecer por aqui. Passo tanto tempo na frente do pc no trabalho, que quando chegou em casa tem dia que nem quero ligar o meu pra ler meus emails =P

entrevista é engraçado, uma vez na faculdade fiz ao contrário, voltei à minha velha escola pra entrevistar os adolescentes - e tive uma viagem bem parecida com a sua, sabe, é engraçado - tem horas que gente pensa: nossa, se naquela época eu soubesse o que sei agora seria tão mais fácil... mas não tem como né

beijão!

Tyler Bazz disse...

Eu ainda assusto quando vejo uma molecada de 11, 12 anos... eu fico vendo como eles ainda são pequenos, ainda são crianças, e lembro que na época eu era todo prepotentezinho, me achava OOOOOO adolescente.. auhahuauhauha...

Nana Ís disse...

Wow! esse é o tipo de texto que todo mundo deveria escrever alguma vez. E sim, a Turma dos Tigres era mágico..