quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Ele era alto, meio loiro (nunca fui muito boa com cores de cabelo, de qualquer jeito) e creio que tímido, também. Ou talvez fosse tristeza.

Ele devia ter entre 25 e 28 anos.Não sei se tinha uma namorada, se pretendia casar ou ter filhos. Nunca tivemos uma conversa completa.

Suas visitas eram frequentes: vinha com meu tio, de quem era amigo. Às vezes almoçavam aqui, mas, por conta da falta de espaço na mesa, raramente a dividi com ele - ou sentava-me no sofá, ou almoçava antes ou depois.Ele veio aqui ontem. Não o vi...

Era morador da cidade vizinha, e me disseram que foi com um tiro, por motivos de dinheiro.Ele e meu tio viviam conversando sobre dívidas.

Não sei se deixou uma carta, daquelas em que se explicam os motivos ou se pede desculpas, ou se foi por impulso. Sei que éramos apenas conhecidos, mas a notícia de seu suicídio me tocou. Independentemente de seus motivos, ou dos laços que (não) tínhamos, é triste pensar nisso. Gostaria que ninguém no mundo se sentisse tão sozinho, perdido ou pressionado a ponto de tirar a própria vida.

Sinto muito, Alexander.

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