quinta-feira, 19 de julho de 2007

Essa praia está deserta, e há nuvens por todos os lados. É incrível como, quando ocnsigo acordar cedo, aquele que eu fui visitar não chegara. É, sol, estou falando de você.

Tento ignorar suas pesadas e cinzas amigas nuvens.A cor de chumbo delas seria melancólica, e eu as adoraria, mas eu vim para te ver, sol.Elas eu posso ver da janela de minha casa, da janela da escola, ou da janela do ônibus que vai sacolejando até seu destino. Mas ver você, se espreguiçando mornamente pela ainda fria manhã, são raras as oportunidades que tenho - quase sempre o sono e o frio matutino me impedem de largar a cama.

E você sabe, a propósito, o esforço que tive para vir até aqui? Foi preciso um sonho utópico - para que eu acordasse -, uma vontade repentina de olhar as horas e uma rapidez para me vestir no escuro.Foi preciso comer algo para tomar o remédio de dor de cabeça - você bem sabe, quanto menos durmo, mais ela ataca.E em vinte minutos eu estava nas areias de sua praia favorita durante a manhã - creio que no período da tarde a substituta dela seja alguma praia perdida entre as montanhas e os desertos (há mais de um?) do Chile.

Mas você veio? Não... Ficou brincando de esconde-esconde, quando sabia que me mudaria meu dia por simplesmente dizer olá.Foi por isso que dei-te as costas, sabia?De que me adianta sentar enfrente ao mar se ele, por culpa do homem, anda marrom, e se, para piorar, se seu brilho não pinta de dourado as ondulações dele?

Penso naqueles pobres pescadores, em seus pequenos barcos que parecem, ao longe, todos negros, tendo que lidar com seu heliocentrismo...

Foi por isso que dei-te as costas, e dar-te-ei-as quantas vezes for preciso.POrque, quaso você não tenha percebido, caro sol, sua vizinha cidade também me é muito querida...E como a visito todos os dias,seu sol, decidi que esta seria sua oportunidade para colocarmos o papo em dia.Mas você não me recebeu, não é mesmo? Então bati à porta da cidade.

Claro que, como há todo aquela grama descuidada no jardim da frente, foi meio difícil ver a amiga cidade, mas eu conseguia reconhecê-la por seus pequenos pedaços à mostra.Sei que já andamos dando conselhos à cidade e ao seu amrido prefeito, mas eles nos ignoram.A amiga cidade precisa urgentemente começar a pensar mais em si mesma e menos em seus filhos, genéricamente conhecidos como habitantes (onde já se viu?Ter dezenas de filhos e dar sempre o mesmo primeiro nome a eles? Habitante ana, habitante maria, habitante josé, habitante edurado... onde já se viu?).Vários pedaços dela estão bem acabados, sabe? Pude ver que ela andou pintando algumas unhas recentemente, mas o esmalte tinha cor de um amarelão tão estranho...

Mas claro que você não deve ter ´reparado, não é? É tão mais prático continuar em suas doces, macias e luxuosas nuvens, que te servem em tudo - até água levam para você, pois bem... - do que prestar atenção nos amigos, não é mesmo?

Conversei um pouco com a cidade, e ela me disse que estava um pouco cansada, mas que tudo ia bem. Qual foi, pois, a minha surpresa quando, do nada, ela me disse "olhe, olhe, pequena amiga.Parece que o senhor sol fez as pazes com o rochedo..."

"Rochedo?Pazes?" Olhei para trás.O que vi, caro sol, foi você.Estranhei.Como assim? O rochedo - não que o rochedo seja desmerecedor de atenção - mas o rochedo, que está sempre ali, tal qual o mar, a cidade e o mato, somente o rochedo recebia a sua atenção. Sentei-me, pasma, e fiquei te olhando. Não é justo que tenhas preferência pelo rochedo! Estávamos todos ali - mar, cidade e mato - , esperando por uma aproximação maior com você, e você nos ignora pelo rochedo?OK, é bom saber de sua consideração pelos amigos.


Fiquei sentada por um bom tempo ali.O pior de tudo, sol, é que não tinha nem em que pensar - a não ser em você e no rochedo. Aliás, umas das coisas de que lhe queria falar hoje era dessa minha frequente tranquilidade. Anda sendo tão bom! Mas você estava ali, numa panelinha formada somente por você, pelo rochedo e pelas nuvens. E eu só queria te dar boas notícias!


Quando finalmente me cansei de esperar que você acabasse com seus cochichos com seus amigos mais preferidos, levantei-me e andei de volta até o ponto aproximado do caminho por entre o mato - voltaria para casa, e te veria apenas na hora da despedida - como faço todos os dias, com nuvens ou sem nuvens, caso você ainda não tenha percebido.


Se estiver realmente prestando atenção no que escrevo, verás que disse aproximadamente. É, sol. Eu não achei o caminho de volta.Eu me perdi! Na minha própria praia, no meu próprio mato, na minha própria cidade.Eu me perdi. Me parecia humanamente impossível achar o curvado caminho de volta.


Parece que, finalmente me vendo com problemas, você resolveu me notar. Pôxa, sol, eu só queria conversar antes...Dividir algo de bom...Agora já era tarde, eu precisava ir para casa, as horas passam rápido demais. Aliás, você podia resolver isso, uhmn?


Sinto muito, sol. Nossa conversa terá de esperar até o próximo sonho que eu não quero sonhar, a próxima semana em que eu resolver acordar cedo, a próxima vez em que eu me tranquilizar, a próxima vez em que...


Até a próxima...



[não é bem a vista que eu tinha, mas dá pra ver a mesma praia em que eu estava, o mesmo mato em que me perdi, a mesma cidade que eu amo, e o mesmo sol, nem tão egoísta quanto parece...]

Um comentário:

Theo Almeida disse...

hey minina

te conhecí a pouco tempo mas já gostei de vc!!!

Oo

olhei teu blog adorei esse texto
psicodélico
psicodélico?
naum é o certo...naum msm
mas assim msm

gostei de tí!!!

muito bom até pq e gosto dessa msuka Girls Just wanna have fun é muito engraçado o clipe e muito boa a msuica da cyndi lauper

xáU minina vermelha

(ou do cabelo vermelho?Oo)